domingo, 13 de maio de 2012

AEROPORTO NA ESCUDEIRA


Saúdo todos os leitores do nosso humilde espaço, neste meu regresso à escrita das crónicas, função excelentemente desempenhada pelo meu camarada Mário, durante a minha ausência como escritor, Sim! Apenas na escrita já que participei na edição e na obtenção de algumas fotos, durante este interregno escriturário. 

Neste domingo que já fez parte da nossa preparação, tendo em vista o nosso passeio anual, designado por Raide Beira Baixa Alto Alentejo 2012, estava prevista uma volta na nossa zona de conforto, o Parque Natural da Arrábida, atendendo a que durante esta semana as temperaturas têm rondado os 35º e que para o dia de hoje se adivinhava muito calor e sol, preparei uma volta onde andaríamos quase sempre protegidos pela vegetação, a qual nos emprestaria a sua sombra aquando da nossa passagem, mas como sabem aqui na nossa região para conseguirmos fazer um passeio relativamente interessante e que ao mesmo tempo servisse como treino é inevitavelmente necessário, subir e subir... E até subir mais um pouco... 

Então e como sempre, sensivelmente pelas 8.15 horas, arrancamos para mais um dia de harmonioso convívio e salutar troca de experiências e vivências semanais, e claro também para dar liberdade a bastantes "baboseiras", característica inerente a todos os CicloBeatos sem excepção... Esperem! Existe um ou outro elemento que têm esta característica em doses um pouco mais excessivas que os restantes... Vocês sabem de quem estou a falar... Hoje éramos seis elementos com bastante vontade de pedalar, o Hipólito, eu, o Mário, o Flávio, o Renato e o Rui que regressou novamente ao nosso convívio, e que nos deu a alegria de pedalarmos na sua companhia. Consta-se para aí… Que o rapaz anda a fazer “piscinas” num sobe e desce junto ao Cristo Rei de Almada, para treinar e vir andar com os CicloBeatos, não te esforces tanto, Rui, tu já és um dos nossos, um verdadeiro CicloBeato. 

Começamos logo com a primeira "baboseira" colectiva, do dia, entrada pela Quinta das Torres em Vila Fresca de Azeitão, com objectivo de novamente transgredirmos propriedade privada e usufruirmos do pequeno mas muito bonito "singletrack" que liga esta quinta, à Quinta Velha, pelo que fomos interpelados perto da construção principal por uma amável senhora (em todos os sentidos), que nos convidou gentilmente a dar meia volta e a sair deste local privado e com direito a camaras de observação, que nem o mais atento CicloBeato reparou na existência, nem do bastante visível cartaz na entrada da quinta alertando para a existência das mesmas. 




Começou bem o dia, não acham? Regressados a N10 rolamos alguns metros até Castanhos e novamente por um “singletrack” o da rua das Gonias, sim de facto este caminho rural está transformado num “singletrack” tal a quantidade de vegetação (selva), e ao que parece só será removida uma vez por ano aquando de uma prova de BTT realizada pelo Núcleo de Vila Fresca, caso para dizer, abençoada modalidade, que serve para que os autarcas locais se apercebam que têm de cumprir com pelo menos algumas das funções para que foram designados. 

Mas “politiquices” à parte, o que interessa mesmo é o que nós fizemos hoje, ou seja, percorremos hoje, passamos por detrás da antiga rodoviária nacional, no sitio da Palhavã, e atravessamos a N10 para mergulharmos de cabeça, no nosso caso de pernas, no primeiro obstáculo do dia, o sempre penoso rompedor de pernas, o já famoso sobe e desce, depois descemos pelo zigue zague até à toca dos coelhos,  e após poucos metros neste espectacular trilho, saímos pelas hortinhas na direcção da Fonte do Sol, porém já fartos de descer, resolvemos ir pelo estradão que atravessa esta zona e nos conduz ao caí de costas, pois claro! Adivinhem! A subir! 




Seguidamente regressamos a um trilho que pessoalmente considero o mais belo da nossa região, o Cabeço das Torres, que me perdoem os restantes, que também aprecio, mas este é sem duvida maravilhoso e espectacular, onde até eu, com limitações técnicas e receio de descer, me aventuro como se não houvesse amanhã, é que para além da emotividade da descida, a paisagem envolvente é de facto deslumbrante, e até estou para aqui, a pensar como seria este local numa voltinha à noite e com luzes, aquela passagem pela casa abandonada seria de outro mundo, certamente, tal e qual hoje o foi para três dos participantes no passeio de hoje ao nos cruzarmos nesse local com um homem de bastão na mão, penso que por momentos se gerou ali uma pequena tensão em ambas as partes, em nós que não estávamos à espera de ver ali ninguém "ainda por cima" de “pau na mão”, e nele que, se tinha alguma intenção de o utilizar em um ou dois elementos, ou ver três e de tamanho considerável pensou mais do que uma vez, não lhe fossem sair as contas furadas, e ainda por cima num local abandonado e escondido… Penso que caso decidisse pelo pior tinha-lhe saído a lotaria.




Regresso à N10 e antes da Quinta do Anjo seguimos pela rampa do depósito contornando-o, e percorrendo outro trilho espectacular desta zona, onde viríamos a perder um dos elementos do grupo o Renato, que após partir dois raios achou melhor regressar a casa pela N10, boa decisão pois mais vale prevenir do que remediar, continuando nestas serras entre as Cabanas e a Quinta do Anjo que se denominam por Marçal, chegou uma das novidades do dia, o acesso à Fonte dos Amores, aproximando-nos por sul e a descer no que se revelou um desbravamento de mato com o Mário à cabeça do pelotão, sinal de que só mesmo os CicloBeatos é que continuam a passar por este local, e para provar esta teoria, nada melhor do que a cara estupefacta dos senhores das hortas a verem nos, aparecer de tal sitio onde certamente nunca vêm sair ninguém ainda mais em bicicleta. 




Depois atravessamos quase toda a Quinta do Anjo pelas hortas, e regressamos à subida quase a pique, no sitio da Courela, que faz ligação ao trilho dos moinhos, na Serra do Louro, esta já nossa conhecida de outras lides, desta feita estavam uns senhores a cortar erva à entrada da propriedade, a quem nós perguntamos, num acesso de boas maneiras e respeito, se poderíamos subir por ali até à casa abandonada, ao que eles nos responderam afirmativamente, mas duvidando das nossas capacidades ainda atiraram… “As pernas são vossas, e lá em cima não sabemos se há saída!” O que rapidamente lhes retorquimos que já conhecíamos a subida e a zona, e que isso não era obstáculo para nós, porém ficaram de sobreaviso e algo incrédulos, “será que estes tipos sobem mesmo isto montados nas bicicletas” podia ler-se nas suas faces admiradas, porém quando cheguei ao alto reparei que havia quem nos olha-se, de certeza, com bastante admiração e até se calhar sussurra-se: “Porra! Os tipos subiram por ali mesmo, e conseguiram!” 





Após farta demonstração de valentia e destreza veio o momento do desencontro habitual em que três foram na direcção do moinho e dois na direcção das adegas de Palmela, vá lá saber-se porquê, reagrupados novamente junto ao moinho e após a sempre fiel colaboração de um operador telefónico, seguimos pelo trilho dos moinhos desta feita sem “conflitos” com caminhantes com prioridade (ver crónica do dia 4 de Março de 2012), até ao cabeço das vacas, descendo este empedrado trilho até à estrada do Vale de Barris, onde subindo um pouco em asfalto acedemos ao caminho alternativo e de terra batida nas Arroçadas, que nos conduz ao moinho da Páscoa, neste local fizemos uma pausa para abastecer de água os “bidons”, numa habitação em que outrora já foi um barzinho, e que por sinal, se bebiam umas excelentes minis fresquinhas ou traçadinhos revigorantes (experiencia própria do autor do texto), de qualquer modo contamos com a simpatia e gentileza da proprietária do local que nos concedeu autorização para abastecer de água quando necessitássemos, nem será necessário pedir novamente, afinal ainda existem pessoas com boa vontade nesta zona, e que após os encontros imediatos deste inicio de dia nos leva a pensar que afinal nem todos somos iguais, e ainda existem pessoas capazes de dar a “camisa” pelo seu semelhante. 





Também nesta paragem conferenciamos se valia a pena cortar troços ao percurso programado ou o faríamos na íntegra, neste caso se abandonaríamos a ideia de descer pela Escudeira e de subir pelo Calvário, tornando a volta ligeiramente mais baixa em altimetria, já que perto dos 25 km, já ia com cerca de 700 metros de altimetria acumulados. 

Resolvemos cumprir o percurso planeado, ele há coisas do “diabo”, o Mário já há vários quilómetros dizia que hoje não se sentia muito bem e que era melhor evitar durezas, no entanto foi dos que se decidiu por atacar o destino inicial, e não é, que a descer a ingreme descida da Escudeira, quase no final, perde o controlo da bicicleta em alta velocidade, entra em derrapagem, é cuspido da bicicleta (até perdeu um sapato) e vai aterrar com a face, contra uma barreira de terra, num violento e aparatoso acidente que, felizmente o deixou apenas, com escoriações superficiais nos membros superiores e inferiores, neste momento que escrevo estas linhas deve estar em casa todo dorido, mas segundo a apreciação de vários especialistas em quedas, poderia ter sido bem pior caso tivesse embatido em qualquer um, dos dois pilares em pedra que se encontravam a menos de meio metro da zona de impacto, ou até mesmo se, se têm enfaixado na rede de vedação por cima do local onde embateu. 








Após este violento incidente, resolvemos por unanimidade regressar a casa e acabar por aqui a volta de hoje, tínhamos tido alguns contratempos e a aterragem do Mário no aeroporto da Escudeira, talvez fosse um presságio tardio de que o melhor era regressar e dar o treino por terminado, seguimos pela estrada do Vale de Barris até à Capela das Necessidades, depois N10 e casa, para o Mário o desejo de rápidas melhoras e muito repouso, pois o dia de amanhã prevê-se doloroso, geralmente no dia a seguir é que as dores aparecem para chatear.

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